“O Mágico de Oz” completa 70 anos

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“Totó, acho que não estamos mais em Kansas” / “Não há lugar como o nosso lar”

 

3A885D_1 “O Mágico de Oz”, um dos grandes clássicos da história do cinema, completa nesta quarta-feira 70 anos desde sua estreia nos Estados Unidos, com toda sua magia intacta. É um filme mágico, onde muitos outros copiam suas idéias.

Baseada no livre de L.Frank Baum, o filme conta a história de Dorothy, interpretada por Judy Garland, e em seu cachorro Totó, que chegam à terra de Oz, depois de serem sugados por um tornado no estado americano do Kansas.

Lá conhecem a bruxa boa do norte, que sugere que sigam o caminho das pedras amarelas até encontrar o Mágico de Oz, que poderá os ajudar a voltar para casa. Além disso, a feiticeira dá sapatinhos vermelhos a Dorothy, que terá que bater os calcanhares para poder voltar a seu lar.

Nesse caminho conhecem três acompanhantes: um homem de lata, que quer um coração, um leão que sonha em ter coragem e um espantalho que quer um cérebro.

114654wizardofozlcy9 “Foi uma filmagem complicada, toda a produção foi difícil e muito cara para  época”, comentou Haberkamp.

O filme ganhou dois prêmios Oscar, de melhor trilha sonora e melhor música por “Over the Rainbow” , adoro essa música (ela foi usada no Pinóquio da Disney também) e sua transmissão nas televisões dos EUA se transformou em uma tradição ao longo das décadas.

O filme é baseado no livro Mágico que não é só um, já são inúmeros, a exemplo o quarto livro, Feiticeiro retorna a Oz, junto a Dorothy,e um burro no – embora a Terra de Oz propriamente dita não figure no enredo, já que ambos, junto ao garoto Zeb, um cavalo de charrete e a nova amiguinha de Dorothy, uma gatinha chamada Eureka, enfrentam novos perigos e aventuras num mundo subterrâneo.

Nota de Rhodes  (se aprofundando na história) :

Em 1964, Henry M. Littlefield foi a primeira pessoa a declarar que “O Maravilhoso Feiticeiro de Oz” não era apenas um livro infantil, mas sim uma alegoria ao Movimento Populista ocorrido nos Estados Unidos da América no fim do século XIX. Littlefield publicou um artigo chamado “The Wizard of Oz: Parable on Populism.” no diário estado-unidense chamado “American Quaterly.” Desde então, a teoria da relação do livro com o Partido Populista (Populist Party) vem sendo ensinada nas escolas e faculdades estado-unidenses.

Além de Henry M. Littlefield, muitos outros especialistas em política e história estado-unidenses dizem que o livro é muito mais do que um conto infantil, afirmando que Lyman Frank Baum era um seguidor do Partido Populista, e que esse autor usou o livro para defender o principal ideal desse partido, que era introduzir a prata como moeda de circulação no país, quebrando a hegemonia do ouro – ouro este que era escasso e estava quase que completamente sob o domínio dos donos das indústrias, que, por sua vez, eram na maioria membros do Partido Republicano.

Existem inúmeras interpretações para o que Lyman Frank Baum demonstra com o livro, entre as interpretações mais comuns estão que Dorothy é do estado de Kansas, pois na época era um estado completamente rural onde o Partido Populista era forte, devido a presença de muitos fazendeiros. No livro, Dorothy usa sapatos prateados, que siginificam a prata pisando no ouro, já que toda a estrada era feita de tijolos dourados. No filme os sapatinhos prateados foram convertidos em sapatinhos de rubi – a fim de ressaltar o fato de ser um dos primeiros filmes a cores do cinema.

O Espantalho representa a figura comum de um fazendeiro estado-unidense, que é considerado “sem cérebro” pelas elites industriais mas mesmo assim consegue ajudar a solucionar problemas que surgiram durante a jornada do livro.

O Homem-Lata representa o trabalhador das indústrias do nordeste dos Estados Unidos da América, pessoas exploradas por ricos empresários, que já não tem mais sentimentos e não fazem nada na vida além de trabalhar para ganhar pouco.

O exército de macacos comandado pela Bruxa do Oeste representa os nativos e índios da América do Norte. Em vários trechos do livro podem ser encontradas falas dos macacos onde os mesmos dizem que antes da chegada do homem, eles viviam num reino de paz, sem ter que trabalhar nem servir a ninguém.

E finalmente, o Leão representa o maior nome do Partido Populista, William Jennings Bryan. Um homem muito bom em falar em público, convencendo e persuadindo pessoas sobre a suas idéias, mas que na hora das eleições nunca provou ser realmente forte como parecia. Bryan concorreu a presidência cinco vezes consecutivas e não venceu nenhuma delas.

A interpretação mais comum do fato de que o autor Frank Baum, que era adepto do Partido Populista, ter criticado William J. Bryan em seu livro, é que na última vez em que se candidatou para a presidência dos Estados Unidos da América, Bryan deixou o Partido Populista para se candidatar pelo Partido Democrata, o que contribuiu para o fim do Partido Populista estado-unidense.

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6 Respostas to ““O Mágico de Oz” completa 70 anos”

  1. Tassiana Ghorayeb Resende Says:

    Belo post. Muito bem elaborado. Ainda mais para quem adooora descobrir coisas “subliminares” nos filmes (eu por exemplo).
    Adoro esse blog.

    As vezes escrevo em um blog de cinema, onde apenas passo para os leitores o enredo e as minhas percepções de cada filme (www.dicasdecinemasp.blogspot.com).
    =)

    Beijos a todos e continuo seguindo vocês no twitter (@TassiResende)

  2. Fiorito Says:

    Cheguei a comentar pelo twitter sobre essa alegoria do filme.
    Na verdade o que o autor passa como fim do padrão-ouro é a mudança para uma dolarização da economia, o fim do lastro ouro e não a troca para a prata.
    A cidade que Dorothy busca é uma cidade verde (dólar) e para finalizar com o bruxo, ela se utiliza da água… e busca ‘liquidar’ o bruxo… ou dar liquidez a economia.
    No mecanismo econômico, a produção de papel-moeda relacionado a quantidade de ouro na economia, buscava um equilíbrio no comércio internacional através da teoria quantativa da moeda de David Hume… Com os crescentes gastos dos EUA em suas guerras, especialmente a do Vietnã, e a necessidade de financiamento através de pura emissão monetária, o padrão-ouro acabou sendo abandonado.

  3. naga Says:

    70 anos de um grande filme, eu o assisti um dia desses no TCM (que ultimamente so passa filmao as 22:00, ontem passou Os passaros por exemplo). A trilha do filme é impecável e muito marcante como a cena em que Dorothy é ensinada a segior pelo caminho das pedras amarelas, e vai repetindo a cancao com seus amgios quando os encontra.

  4. milinhadf Says:

    Existe uma nova versão do Mágico de OZ, se chama Tin Man, as interpretações sobre, espantalho, homem de lata e o leão, são muito boas e modernas.. Se trata de uma miniserie do Sy-Fy. Quem curte o livro, deve gostar da nova versão, indico a todos assistirem

  5. xtaz Says:

    Excelente post …. recentemente participei de um projeto colaborativo via Internet no qual fui o único brasileiro participante, desenvolvemos e produzimos um longa metragem (90min) de animação de um dos livros do Frank Baum ” Tin Woodman of Oz” que conta a história do Homem de Lata, como ele surgiu, por que ele é de lata, e as aventuras dele e do seu fiel amigo Espantalho depois que a Dorothy volta pra casa. O filme na íntegra encontra-se no youtube no seguinte endereço http://www.youtube.com/view_play_list?p=6B39C164381121C4&search_query=tin+woodman+of+oz
    Participei do projeto modelando e texturizando cenários e animação dos personagens.

    Paz

  6. regina Says:

    muito interessante, gostei do seu blog.

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